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Intestino Preso em Crianças (Saiu na Premmier de Março de 2013)
A constipação intestinal crônica é a principal queixa no consultório do Gastroenterologista Pediátrico, correspondendo a 25% das consultas. Muitas vezes a família acha que o hábito intestinal da criança é só um pouco mais difícil e não procura o especialista. São crianças que tem dor e dificuldade para evacuar, apresentam fezes endurecidas, em pequeno volume (pelotinhas), podendo em alguns casos apresentar sangramento. É comum ocorrer escape fecal, que é a perda de fezes na roupa. O especialista com frequência atende crianças traumatizadas pelas inúmeras lavagens intestinais a que já foram submetidas.
Temos que ter em mente que o intervalo entre as evacuações não é o mais importante para o diagnóstico e sim a característica das fezes. O intervalo normal entre as evacuações varia para cada indivíduo, há pessoas que evacuam mais de uma vez ao dia e outras que tem suas evacuações uma vez a cada 4 dias e não possuem sintomas de constipação. São muitos os motivos que podem levar a constipação infantil, entre eles: dieta pobre em fibras e/ou líquidos, problemas emocionais e até a simples falta de treinamento para evacuar.
Se a criança possui dor para evacuar, ela começa a evitar este ato, retendo as fezes no intestino deixando-as mais endurecidas. Acabam não evacuando por medo! Se esta evacuação for muito volumosa e as fezes muito endurecidas e ressecadas podem machucar o ânus durante sua passagem, provocando fissuras, sangramento e dor, o que torna a próxima evacuação temida pela criança. Assim a criança acaba retendo mais fezes, tornando-as mais endurecidas, gerando um ciclo vicioso que deve ser interrompido para impedir que o quadro se agrave.
O diagnóstico é feito através da história e do exame físico, no qual o médico, gastroenterologista pediátrico, pode detectar certos sinais e sintomas como, por exemplo, uma massa abdominal (fezes palpáveis). Os exames complementares só devem ser realizados se o paciente não responder bem ao tratamento clínico.
O tratamento depende da idade do paciente e da gravidade do caso, sendo que o importante é quebrar o ciclo vicioso de dor e retenção das fezes, para que a criança perca o medo de evacuar. O tratamento inicial normalmente envolve o uso de laxantes e orientações quanto ao treinamento de toillet. O paciente deve ter um local adequado para a evacuação, os pés devem ficar apoiados, nunca pendurados, para aumentar a força abdominal durante este procedimento. O tratamento é prolongado e pode durar de semanas a vários meses, mas os resultados são muito bons, trazendo resolução completa dos sintomas na maioria dos casos. Quando o objetivo é atingido e o paciente está evacuando normalmente, sem medo, a dose do laxante é reduzida gradativamente. Com relação ao uso de fibras, devemos ter muito cuidado, seu uso pode deixar as fezes mais endurecidas se não for ingerida uma quantidade adequada de líquidos durante o dia.
É importante lembrar que o tratamento é por tempo indeterminado e normalmente longo, mas os resultados compensam. O tratamento correto e precoce desta doença evita prejuízos na infância e na idade adulta, diminuindo o impacto físico e emocional na criança e melhorando a qualidade de vida do pequeno paciente.
Dra. Juliana Pirmann
Gastroenterologista Pediátrica – RQE 562